quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
“Pensar um bocadinho não nos faria mal” - D. Clemente, Bispo do Porto
segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
domingo, 22 de Novembro de 2009
Testezinho para quem está doentinho (... da cabecinha, também)
Daqui, via Ana
domingo, 15 de Novembro de 2009
Conversas simples (i)
- Sim...? Porquê?
- Tens o esperma muito espesso, pouco liquefeito.
- Isso não quer dizer nada, tem a ver com a qualidade do líquido seminal.
- Sim, mas tens quantidade e é concentrado. Cuidado!
- 'Tá... estarei de boa saúde, nada mais.
- OK, mas vê lá por onde deixas isso...
- Está fora de questão a doação.
- Mas já ouviste falar da escopolamina...?
- ... sei, mas meus rins valem bastante mais.
- Sim, fígado e pulmões nem tanto.
- Nem muito.
Corriqueirices
sábado, 14 de Novembro de 2009
domingo, 8 de Novembro de 2009
sábado, 7 de Novembro de 2009
Experientia praestantior arte
Decepção e desilusão não são sinónimos. A primeira parte de factos muito concretos, qualificáveis e quantificáveis, que sustentavam uma atitude e um determinado comportamento, contínuo e redundante, revelando posteriormente outros, completamente díspares e surpreendentes; alterando profusamente a percepção do decepcionado. A segunda não parte de factos muito concretos, mas só dos que nos fazem crer subliminarmente; qualificáveis e quantificáveis só à luz de uma ideia criada em redor da ilusão, embora não deixem de ser díspares e surpreendentes, pois a construção de uma pirâmide de cartas não tem limite ad nauseam. De nenhuma delas se pode, porém, falar de culpa: uma adveio de uma imprecisa avaliação; a outra, de um descuidado enredo de emoções.quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Trás!

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
retro

Contrafeito, não resisto ser bicho do mato ao Domingo, catando medronhos selvagens e esgaravatando roquinhas pela turfa ainda quente do estio de Outubro. Aferrado, até esculpo fisgas das bifurcações dos ramos mais firmes das macieiras, recorto tiras das borrachas das câmaras de ar de pneus velhos e ajusto, afino e recolho seixos de nitrogénio no rio.
- Acautelem-se tentilhões, verdelhões, cotovias, gaios, gralhas e virgens ofendidas: voltei aos meus dez anos, fujam, sou mesmo mau! Mas não que já não seja sapo, calculando lúgubres dias por tudo isso.
domingo, 25 de Outubro de 2009
sábado, 24 de Outubro de 2009
quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Não há a menor dúvida
sábado, 17 de Outubro de 2009
quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
Atende
Tocas e foges como se estivesse morto. Matreira, vens-me farejar, identificar os sinais vitais e lamentar os moribundos. Queres-me vivo, calculo; mas mais forte, tenho a certeza. Porque não cobarde ou desleal, não te irias locupletar de um só pingo de sangue. Só mesmo da totalidade espessa e vigorosa. Afinal, alimentas-te bem, anseias um Hansel bem nutrido, capaz de saciar-te em términos contínuos, logo, espicaçando-me aqui e ali, cutucando com vara curta, despertas-me para tudo o que me rodeia, de bom e de mau. Queres-me são, possante e atento. E já ambientado e confiante, apesar de tudo, sei-te astuta e incapaz de fugir à tua mais visceral natureza, porquanto reconheço o pouco tempo que me espera, ou o nenhum mesmo que me resta para ser teu prato, regalo, festim. E com mérito: deglutes-me ainda selvagem e indomável, porque, lancinante, confitaste-me assim. terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Entende

Quando começar o Outono a sério, quero-te em casa deitada no sofá, pernas estendidas, corpo meio morto e cabeça no meu colo. Espreitarás o livro ou a televisão, mas não retirarás a cabeça do meu colo. Levarás com a minha língua no lóbulo direito da orelha; com a parte externa dos meus dedos percorrendo todos os ângulos de tua cara, com uns meios e delicados apertões no nariz mas, principalmente, com o calor em crescendo das minhas pernas. Até podes sentir gotículas de suor pela testa ou alguma dormência pelos quadris, um pé mal encaixado nos intervalos das almofadas, mas do meu colo não sairá tua boca, nem teus olhos, nem tua saliva. Desculpar-me-ás o possível incómodo, mas quero-te mesmo ali muito entretida e mais nada.
domingo, 11 de Outubro de 2009
Atenta
Na volta traz-me a vesícula ou, na falta, directamente o fel, porque essa mania de olhares de lado irrita-me, traz-me picos de tensão: olha directamente para mim e mais nada e, quando muito, olha o céu encriptado de estrelas e galáxias loucas por calculares as suas exactas posições. Mulheres bonitas mas travessas enervam-me, levam-me a fervilhar na inexactidão. Atenta: não gracejes inóspita, isso não vale, é inconsequente. Concentra-te no essencial, ou seja, em mim. Porque repito, sendo tu fruto da minha imaginação, essa mesma desatenção limita-te até à extinção. E era só este o reparo.
sábado, 10 de Outubro de 2009
Fala-me de Paz

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
Olha
Não quero pressas, nem pausas longas. Nada de supetões, nem de calmas tardias. Traz só os olhos aspergidos, cansados de tanta leitura. Traz também as bochechas ainda quentes do travesseiro. E a voz, isso, traz a voz mandona e opinativa. Só isso, não tragas mais nada. Estou com alergia, não te posso sentir e estou no meio de um sonho onde já não te consigo achar. Mas escuto-te bem, vá!, conta-me uma história, uma boa história, com princípio, meio e fim. Aliás, eu escolho o fim. Mais, sempre que te interromper, obedeces e repetes comigo tudo o que eu disser. Tudo, sem hesitar. Lembra-te que és tu que fazes parte do meu sonho e é desta vez que, ao contrário de todas as outras vezes, irei descobrir a saída do desatino de Dédalo, onde tu, já indiferente, não vais esperar. quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
Ouve

terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Escuta

Queres que te conte uma história, é? E queres senti-la como tua, mesmo sabendo que é exclusivamente minha? Então, senta-te e escuta.
Às vezes, muitas vezes, palmilhamos nossos sonhos em busca de respostas sublimadas, quase deificadas, que nos acarreiem a dose certa de coragem para justificar um por um nossos actos. Às vezes encontramo-las, outras não. Encontramo-las, quando nos afiguram nítidas, perfeitamente plausíveis e meritórias; não as achamos quando surgem obnubiladas no desencanto da contradição. Por isso, muito mais razoável do que tentar encontrar respostas nos sonhos, deveríamos tentar achar as verdadeiras perguntas como na idade dos porquês. Porque se fazemos isto ou aquilo, não é no universo das justificações que encontramos cabimento, mas antes no das motivações onde estagiam os malditos atrevimentos.
domingo, 27 de Setembro de 2009
quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
Eu sei que isto é um bocadinho deselegante, desinteressante e angustiante
quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
"Que chatice... Pá!" *
RAP
* Frase rosnada algures ontem à noite na Braamcamp
sábado, 12 de Setembro de 2009
Das genuinidades
Saindo das efectivas máquinas comunicacionais e de interesses que sustentam sempre cada um dos partidos, preferi deter-me nos seus líderes. Não nas suas competências, ideologias, capacidades de execução ou mobilização. Mas tão-só num único valor: genuinidade.
Absoluto como valor, mas profusamente subjectivo na avaliação, segue a minha breve interpretação:
Paulo Portas, culto, inteligente e hábil comunicador, norteia toda a sua vida pública pelo sucesso de um projecto pessoal. Desde o Independente até às suas presidências no CDS-PP (repare-se no CDS que já só foi PP), passando por uma série de golpes palacianos cujo objectivo foi sempre sair líder; mesmo que para tal tivesse de afastar, ou fazer com que se afastassem, históricos do partido, ou mesmo a recente Maria José Nogueira Pinto, Paulo Portas só concebe o sucesso de seu partido com ele. E como presidente. Trata-se, sim, de um projecto pessoal, o que, em si mesmo não é grave, não é condenável, só que, não explícito, carece de genuinidade;
Francisco Louçã não tem um projecto pessoal. Tem, sim, uma grandessíssima satisfação e atracão pessoal em ser líder espiritual do BE. Realiza-se, autoconvence-se, gosta de se ouvir e ser ouvido como um profeta; o que tem sempre razão em nome de um emergente, imaculado, inconsciente e genuíno descontentamento decorrente da governação protagonizada por quase todos os outros seus concorrentes. Louçã quer materializar, em toda a sua figura de capelão, a orfandade míope de todos esses desvalidos fiéis. O antónimo de Louçã é genuinidade;
Jerónimo de Sousa é genuíno. Emanado do Comité de seu partido, foi incumbido de não malbaratar toda uma herança quase centenária na luta contra o grande capital. À renacionalização de tudo o que traz riqueza e não definha a livre concorrência entre mercearias (Eu até gosto de mercearias e de balanças com chumbinhos), avante, camaradas! Não queria estar no lugar dele: as sobrancelhas do Cunhal devem-lhe pesar tanto… mas é genuíno!;
José Sócrates é um deslumbrado com resquícios provincianos. Cresceu assombrado por doutores, engenheiros e professores e sempre almejou chegar lá. Não necessariamente à sabedoria, ou ao trabalho que custa alcançá-la, mas aos títulos sociais por deferência, ao reconhecimento por superiores: Oh seu dôtore!, Oh seu Inginhero!, o prazer será todo Nosso! Mas não é estúpido, muito pelo contrário, espertíssimo (mas não correligionariamente inteligente)! Foi o político que melhor soube, e sabe, usar a força da imagem, mesmo que contrafeita, para transbordar emoção e certezas (mais perigoso) nos eleitores; melhor sabe apropriar-se de obra alheia; de avaliações próprias como se de externas tratasse; enfim, colar-se a tudo que pode hipoteticamente beneficiar o eleitor. Um tipo ganha o Euromilhões e tem de gramar o Sócrates ao lado dizendo que foi no governo do seu partido que a Santa Casa juntou-se ao grupo de países que instituíram esse prémio. Com a satisfação, veio a teimosia; com a teimosia, a corte, o acolitismo empresarial, o séquito intelectual, a obrigação de devolução. Sócrates não é, obviamente, genuíno.
Manuela Ferreira Leite foi uma excelente aluna, mas não é uma boa professora. Um mulher de uma outra geração, que à semelhança de poucas outras, lutou muito para ser respeitada entre pares. Mulheres da sua geração, que chegaram onde chegaram, que tiveram de desbravar caminhos, sofrer condicionamentos e preconceitos de género, contam-se poucas por este país. Não estamos a falar de Letras, ou mesmo de Direito. Estamos a falar de ciências económicas, de ciências de Homens, porque tudo o que tenha a ver com dinheiro, tem a ver com Poder. E exerce o cargo de líder do PSD por pura abnegação e espírito de cumprimento. É teimosa? Sim e esconde-o…? Na sua desambiguação, Manuela Ferreira Leite é, sim, genuína.
Cartões vermelhos

A fofinha da Hipatia pediu-me para dizer quais os meus dez cartões vermelhos, solicitando-me, contudo, não apontar nenhum ao género lá dela. Pois claro.
1. A todo o tipo de implantes silicónicos e afins em qualquer local do corpo feminino: não gosto de beijar lábios de plasticina, peitos térmicos e traseiros acolchoados. Anima-me muito mais a gravidade pungente de uma toda e qualquer situação;
2. A todo o tipo de saltos compensados dos sapatos femininos. Se querem parecer mais altas, sofram o desnível, tentem endireitar as costas e carreguem os sacos das compras na mesma. Caso contrário, metam andas ou próteses amovíveis;
3. Aos óculos de sol XXL: já experimentaram a burka…?;
4. Aos triquinis: ficam mulheres-aranha e transparecem mentes complicadas e traumáticas;
5. À lingerie de renda preta, encarnada ou de outra cor feérica. Desculpo sempre a branca. Também já não suporto o fio dental. Olhem, uma cuequinha em forma de mini-calção fica sempre tão sugestivo…;
6. Aos recadinhos, aos avisinhos, aos post-itinhos.;
7. À auto-avaliação elogiosa, intensa de convencimento, polvilhada por um, vá, dois defeitozinhos;
8. Às mulheres que manifestam saber tudo sobre os homens, principalmente e para não dizer só, quanto aos seus defeitos, à sua previsibilidade e inferior estádio evolutivo;
9. Ao primado da aparência física e da juventude em contraposição ao envelhecimento. Se se pode perder na forma, ganha-se em muito no conteúdo. Lamento profundamente ver mais jovens não aproveitar - e quantas vezes, repudiar - tudo de bom que uma pessoa mais experiente (e com paciência para os aturar) pode oferecer. Em todos os sentidos;
10. À Hipatia. Ponto.
sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
domingo, 6 de Setembro de 2009
sábado, 5 de Setembro de 2009
As mulheres não são o que não são
quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Uma regra
domingo, 30 de Agosto de 2009
quinta-feira, 27 de Agosto de 2009
Aishwarya Rai: Why not?

Esta mulher é idolatrada por mais de 1,2 mil milhões de pessoas, com reconhecimento em Cannes, poliglota e ex-estudante de arquitectura. Nem por acaso, é a mesma que figura no post abaixo e tão "desconsiderada" pelas comentadoras sob o escopo do sobrevalorizado 6º sentido. Mas foi, de facto, uma péssima escolha: não nasceu no Ocidente e é demasiadamente bonita. É ver a extensa biografia.
terça-feira, 25 de Agosto de 2009
One-liner

Esclareço. Sou devoto da Mulher e, por inerência, gosto muitos das Mulheres. Em toda a linha. Mas trata-se de Alta Escola e eu não domino a arte de cavalgar* em toda a sela. Com muita pena minha.
* Nada de más interpretações, por amor de Deus.
segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
Anónimo, eu?
Aqui estou sozinho e chamo-me Paulo.
domingo, 23 de Agosto de 2009
Serenar
sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
Coisas que ficam
Abusar não é necessariamente exceder no uso que damos às coisas; antes, usá-las mal, deteriorá-las, adulterá-las, destituí-las da sua prima natureza e, por vezes, reter sua insídia.
Optar não é necessariamente escolher de uma forma livre e consciente; antes, abdicar de algo muito caro, querido, precioso. Prescindir de grande parte do essencial. Seguir por um outro caminho, quantas vezes mais desconhecido.
De forma que, tanto quanto me é possível, tento sempre não abusar, optando.
quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
Enfim...
domingo, 16 de Agosto de 2009
Eles não sabem nada...?

Há uns dias atrás, estava na mesa do lado, um grupo de três jovens homens de trinta e poucos anos falando sobre mulheres. Estavam animados e exaltados, cada um deles fazendo-se ouvir em sonoras opiniões, sensatas e assertivas, sobre o sexo oposto; interpelando, questionando, emitindo pareceres liminares e definitivos sobre suas consortes, mulheres, namoradas ou amigas, para o caso tanto faz.
- Acho-a de uma inconguência flagrante, contudo não descura uma persistência que nunca tinha visto.
- Mas tens de tentar funcionar doutra maneira. Eu, por exemplo, jamais mencionei regras que na prática não dão em nada, inconsequentes, 'tás a ver?
- Sim, Daniel, mas ela não dá qualquer espírito de abertura para que as coisas funcionem de forma diferente: é como ela quer ou temos frisson.
Na verdade, nunca utilizavam palavras como "gaja" ou "tipa", mas a "Suzana" ou a "Sofia", o que não me desgostava: eram educados e, OK, um pouco betos. Mas o que mais os preocupava era entendê-las, entrar na sua lógica de pensamento: mais um ponto a favor, tinham espírito missionário.
Só que, mais lá para o final da conversa, apercebi-me de quem realmente falavam e porque tão minuciosos eram nas sábias análises. Falavam das suas chefes hierárquicas, do seu trabalho profissional e das perspectivam que dele almejavam.
De repente, senti-me num país desenvolvido e gostei de me sentir português.
sábado, 15 de Agosto de 2009
{Entre chavetas: o filme que nunca vi}

Precisei entender-te, saber quantas e quais línguas falavas e se praticavas muita linguagem gestual. Precisei saber quantos batimentos cardíacos te atormentavam, quantas gotas de suor expelias, quantos cabelos espigados deixavas abrir ao sol. Precisei enumerar os poros mais arrepiados, equacionar pestanas, adivinhar constelações de sinais. Dimensionar a tessitura de teus bocejos, a graça de teus rumorejos, a infantilidade de teus soluços.
É, precisei entender-te mais e melhor, sentir o que sentias, sofrer o que sofrias, chorar e rir o que rias e choravas. Cobrir-te a sombra e fazer-me tu.
Não queria nada teu. Só ver pelos teus olhos, cheirar pelo teu nariz, beber pela tua boca, ouvir pelos teus tímpanos, tactear pelas tuas terminações nervosas e corar pela tua cara.
Inabalavelmente certo que, fazendo-o, uma voz superior, um temor reverencial, me condenava feliz.
quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
__________ x _________
Não gosto de tomar duche acompanhado. De sentir água tépida e morna vinda de cima ao encontro de testas e nucas, ziguezagueando corpos, largada abundante pela linha dos joelhos. De sentir o gel corpo contra corpo, sliding & splashing; a pele macia dela encostando intermitente a dele, a minha, dotada de aleatórios pêlos acobreados pelo sol salgado do fim da tarde. Não gosto dos mamilos ligeiramente duros dela sobre o meu alto ventre; de sentir-lhe a cova da linha lombar; dos dedos longos escorregadios nas folgas mais largas dos meus. Não gosto desse elemento embrionário que é a água, que nos trouxe encharcados à nascença e que agora, reminiscente, partilhamos avidamente com o outro. Entre duas bocas nunca deveria cair água embebida em saliva e suor que com ela se misturam e mistelam em puros exercícios de prazer táctil e ronceiro.Depois, nunca descurar o mais óbvio e certo: um, o outro, ou ambos sempre podem escorregar e magoar a maldita porcelana voyeuse.
[Um parêntesis recto: Perfeita]
Ela é má; ele mau é; eles são maus. Os humanos são tão maus...
Uma descrença completa, profunda, lamentativa. Mas circunstâncial. Estruturalmente, continuava a acreditar neles, nos maus, nas bestas, mas próximos. Mas não nos alheios, essa coisa terrível, emanada pelo Diabo, pelos incréus, pela imundice zincada em calão. Já não havia ternura, docura, candura. Nem segurança, ou Sancho Pança: Cervantes, ludibriado, fora queimado. Como ela, na fogueira taciturna dos feles. Sim, porque, ela fora virgem nesta fealdade humanitária. Alguma vez serpente provocatória; fêmea aleatória; gira rendentora? Não, não, não. Não espicaçava, jamais alinhavava, ou, afeita, incitava mel. Toda ela cria-se fel.
segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
sábado, 8 de Agosto de 2009
(Um entre parêntesis)
sábado, 1 de Agosto de 2009
Tinha tanto para falar sobre Dijon
França, como já grande parte da Catalunha, esta pejada de magrebinos, i.e., pulhas vindos das canículas dos escorpiões do sahara, que, em não achando suficiente areia para vender, vieram para aqui fumar cavalo, mulas e bois sem os devidos estudos. Resultado? Além de nas horas mais mortas entreterem-se a queimar automóveis, lambretas e bóias, organizam-se em grupelhos de três ou quatro e assaltam à séria: armas brancas e pretas metálicas pesadas com canudos.
sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Barça
Primeiro, nunca fale com barceloneses em castelhano. Levarão logo à cabeça cinquenta euros por uma garrafita de água já aberta e não potável. Fale francês, inglês ou português. E, então, se souber uma frasezita mal amanhada em catalão, oferecerão casa, comida e roupa lavada.
Segundo, nunca, mas, mesmo, nunca, entre na Rembla do Raval. Aquilo é um misto de Casa Pia sem muros, Cova da Moura e Zona Jota, tudo incluído. É mais perigoso para um turista incauto passar por lá do que para o Papa urinar no muro das lamentações e entrar calçado de prada na mesquita Al-Omari.
Terceiro, foi em Barcelona que comi o melhor rabo de toda a minha extensa vida. Entre o rijo e o tenro, mantinha uma textura aveludada de bradar -- oh, se bradei! -- aos céus. Nunca lhe vi a cara, até que o gerente do Alba, ali na Calle Enrique Granados, me garantiu que era novilho.
Por último, depois de ver pela cidade tanta obra de Gaudí, senti-me vingado quando descobri que morreu atropelado por um eléctrico a 5Km/hora.






(Clicar para ver melhor)
quinta-feira, 30 de Julho de 2009
O meu Lisboa - Transilvânia

De lá para cá, viajei, sim, mundo fora, mas sempre na comodidade do avião, do hotel cinco estrelas, do flat por conta do amigo, do resort all included.
Agendei este post para o começo da terceira das etapas desta minha viagem pela Europa -- Lisboa-Eforie --, sozinho, de mota, alojando-me em pensões. Já terei passado por Madrid e jantado, no meu restaurante de infância ( Bajamar) a minha melhor paella de sempre. E já neste momento estarei de saída de Barcelona para Toulouse. Depois Dijon, Liechtenstein, Linz (Áustria), Pécs (Hungria), Cluj-Napoca, Roménia (Transilvânia) e, finalmente, Eforie, ante o Mar Negro.
Às vezes, não nos queremos só estóicos, nem deixar problemas para trás (afinal, estão sempre em nós), mas, antes, só ir lá. E voltar. Voltar, sempre.
domingo, 26 de Julho de 2009
____________ x ____________
sábado, 25 de Julho de 2009
Ecologia
E gasta, gasta toda a teimosia em me conquistar.
quinta-feira, 23 de Julho de 2009
quarta-feira, 22 de Julho de 2009
_________ x ________
Às vezes, dou por mim pensando nos porquês. Não me vejo minimamente materno, nem tão-pouco colo doce de permuta. Não me encontro naqueles desencontros íntimos episódicos ou nas cumplicidades intrínsecas daquela filiação. Nem me vejo particularmente fascinado pelo exclusivo infortúnio; nem na vocação de consolo que da minha parte advenha propensão.
Deparo-me, sim, com Mulheres superiormente fortes e seguras, dignas de profunda admiração e consequente devoção. Serão parte dificilmente achada nos meus pequenos desenganos, repleta de encantos de energia e entusiasmo pela comoção de vida inteira e satisfação. Serão difíceis, sim, complexas, de certo, mas descomplicadas. De entrega delicada, mas com minúcia conquistadas, são inteiras de cumplicidade, afinidade e disponibilidade.
Não serão todas assim, mas a Ana era. Doseada e cerebral, elevava uma frescura feminina desconcertante e imprópria de quem exercia magistratura com denodo e brio. Juíza de têmpera, erigia bom senso e sentido de Justiça como quem clama harmonia ao caos inquinado da nossa insatisfação.
Contrafeito, publico só esta via e-mail:
Esperança não poderia ser o nome da mãe de todas as tuas mulheres, porque essa é sempre a última a morrer, logo, a razão pela qual verdadeiramente as escolheste, ou te escolheram, é porque não tinhas de ter Esperanças na tua vida.
Ana Cláudia Vicente
sábado, 18 de Julho de 2009
Dos clichés
terça-feira, 14 de Julho de 2009
Prémios e isso
domingo, 12 de Julho de 2009
Urgente!

Uma vez na minha posse, jamais dele faria abuso ou te pespegaria na cara para justificação frontal. Nem sequer conformava trunfo secreto ou Royal Straight Flush à última jogada.
sábado, 11 de Julho de 2009
Basicamente
Basicamente, despia-te à dentada, libertava do gancho teu cabelo montês e em hordas sucessivas e bárbaras dotava todo teu corpo. Por pérfida canalhice, não te deixava na incerteza do que te esperava, mas antecipava-te o desespero em me veres grande e eloquente ante ordens sussurradas rente ao ouvido. Severo e impessoal, seria impositivo na descrição de todos os meus actos com muito poucas décimas de segundo de antecedência, porque, tenra e fresca, aberta, crua e molhada, te sugaria como uma ostra recém-apanhada.
Depois, bom, depois muito pouco de ti sobrava de esquivo ou resistente, porque queda e sobre-ressarcida te espraiavas na súplica de nova investida.
sexta-feira, 10 de Julho de 2009
________ x _________
Clara era escura. Não exacta cor de ébano, mas da tonalidade com que gostamos de sair do estio: acobreada. Pele lisa, lustrosa, macia, perfumada. Sem marcas, nem protuberâncias. Olhos bem delineados, de íris negra e esclera alva e brilhante. Esguia e atlética, sua silhueta não traíra formas generosas africanas. Nascera em Príncipe, mas cedo foi para Santiago e, pouco mais tarde, para a Holanda. Acabei por conhecê-la em Bremen, mais o seu passo acelerado e desconfiado. Falava fluente alemão e holandês e, solícita, rapidamente se tornou minha intérprete nos delicatessens e pubs das ruelas de Schnoor.
Desconcertante, falava sobre tudo. Desde as put and call options, até aos veados escoceses de doze hastes; desde o leite de moça que a avô lhe ensinara enquanto pequena, aos melhores contentores de 40 pés; desde a influência do dadaísmo na literatura e nas artes plásticas até à importância da sacarose da beterraba.
Até um dia, um único dia, uma Terça, em que não me apareceu. No dia seguinte também não. No seguinte ao seguinte, não e não.
Nunca mais a vi. Nem acelerada, nem desconfiada. Nem nada.
sábado, 4 de Julho de 2009
Tenham juízo...!
Olhai, senhores!
quarta-feira, 1 de Julho de 2009
_____ x _____ x _____
Linda, inteligente;
Possessiva, linda;
Teimosa, inteligente;
Despistada, linda;
Impertinente, inteligente;
Cativante, linda.
Tenho um segredo que nunca vos contei, nem nunca vos irei contar. Não pelo segredo, mas pelo que ao mundo iria segredar.
É a Rita, a Joana, a Laura, a Ana ou a Clara; a Clara, a Ana, a Laura, a Joana ou a Rita. O segredo está em todas elas e todas elas são uma mínima parte de uma só. A tal, o verdadeiro segredo, que fintando todas as outras, nunca se quis substituir em nenhum momento por uma só.
segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Laura shock
Dada a especificidade do tema, tive dificuldade em arranjar companhia – sim, porque ir ao cinema sozinho, só deprimido, ou à socapa, como quando tinha 13 anos e fui ver o Christiane F. Mas, neste caso, nem tive. Laura acompanhou-me:
- João, tens a certeza que queres a minha companhia…?
- Estou-te a convidar…
Laura, do alto dos seus curvilíneos 1,75m, é uma desbocada. Tanto fala alto só para me dizer, e todos ouvirem, “qu’horror, estás a ficar com barriguinha"; como me agarra o pescoço para segredar parvoíces do género: “quero pipocas salgadas para me desidratar!”. Hás-de senti-la molhada na pele seca – pensei eu, mas até nem tinha pensado.
Sala 9, Alvaláxia. Número de bilhetes até ao momento comprados: seis. Número de espectadores efectivos na sala, dois: eu e ela. Foda-se!
Normalmente, quando os filmes são em inglês-americano, nem espreito as legendas, mas com tantos apartes antecipando o pobre fio condutor da acção, só me restou apertar-lhe a mão e suplicar-lhe silêncio. Silêncio!
Laura tem tanto de lúbrica, lasciva, como de insuportável; tanto de inteligente, quanto de patético; tanto de meiga como de histriónica. E esta combinação é desconcertante, muito próxima do inenarrável.
Tudo bem, confesso: amuou. Pingada ao meu lado no carro, em sonoro silêncio, até sua casa. Não se despediu ao sair, mas fez questão de me relembrar, ao se erguer, o que tem de melhor: um traseiro de sonho.
Parafraseando um amigo carioca, perdi uma má película e uma bunda gostosa.
domingo, 28 de Junho de 2009
Esclarecimento
1- Quando der a mensagem de erro, clica-se OK:

2- Depois clica-se na seta rewind para voltar à página anterior:

3- E já se pode comentar:

Bom, isto é um bocado ridículo, mas fica o registo e desculpem qualquer coisinha.
sexta-feira, 26 de Junho de 2009
quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Sky morre
_________ x __________
Não, Rita, não é de liberdade, de largueza ou de alforria que te falo. A primeira conquista-se, a segunda constrói-se e a última, passiva, sai em sorte. Falo de vontade, de desejo, de tenção com c cedilhado, inteiro na predisposição de desafiar a razão.
Já ouviste falar em números complexos? Não? Neles, há uma unidade imaginária que, mesmo sendo tão irreal, é produto da razão. E é dessa outra coisa que preciso, da precisão do sonho sacada à aleatoriedade da razão. E isso, Rita, não, nunca me ladroarás sem ponderação.
Mas, repito, estás à vontade, cola-te à pele, aperta-me os pulsos, soca-me o peito, aperta-me o escroto. Porque, já sabes, se por mero acaso sangrares, será por erosão.
sexta-feira, 19 de Junho de 2009
O Sacré Couer de Montmartre português
quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Estão verdes
Miguel Marujo publicou há dias no seu Santuário uma fotografia de Ana Drago. Choveram logo comentários maldizendo a bloquista, que era uma blasfémia a sua escolha, que não estava ao nível daquele altar, sem quesitos mínimos e por aí fora. No fundo não se discutia estética, mas partidarices políticas.Conheço a Ana e, pessoalmente, acho-a simples, cara lavada, juvenil e bonita, sim!, possuidora de uma sensualidade muito serena, muito confiante.
Aliás, se há partido que mais conjuga inteligência com beleza feminina, é o BE. A Taggy que me perdoe, mas beleza também é fundamental...
_______ x ______
- Como é que entraste…?
- Tenho cópia das chaves, esqueceste?
- Tudo bem, que foi?
- Vai à merda, mais a tua bonomia…!
- Rita, Rita… diz lá.
- OK, já não me queres: eu aguento, sei cuidar de mim. Desde a morte da minha mãe que me entendo, me cuido, sei tratar de mim. Para a semana faço Prova de Agregação, vai correr tudo bem. Trabalhei muito aqui nesta casa contigo, ou sentigo, não interessa, vai correr tudo bem…
- Claro que sim, Rita… diz.
- Já não sou suficientemente boa para ti, é….?!
- Boa…? Boa? Boa como?
- Porra! Na cama, nas conversas, nas brincadeiras! Fartaste-te do meu corpo, dos meus gritos, dos meus amuanços, da minha pele? Adoravas a dureza arrepiada do meu rabo, do meu peito, do meu umbigo; excitavas-te quando passava nua rente à janela, à noite, com as luzes acesas e os estores abertos. Ficavas piurso quando te perguntava, e demoravas mais de 3 segundos a responder, quem era a filha da prima da tua mãe.
- A Rosarinho…?
- Ora, foste rápido!
- Não, não, continuo a ter problemas com a compreensão de esquemas, quero dizer, com os parentescos…
- Com a Rosarinho…!
- O quê?
- Com que então, aqueles cabelos louros dentro do bolso do teu BLAZER!, eram simples pêlos do golden retriever da tua irmã…
- hã?
- Paulo…
- PAULO???
- João Paulo, “não te faças sonoro”, “não dessa maneira”, "acata agora a bonomia do meu coração"…
Ah, e não precisas de mudar de fechadura, afinal a porta sempre esteve entreaberta.

terça-feira, 16 de Junho de 2009
_______ x _______
Rita, espera, não saias assim. Não batas com a porta, não te faças sonora. Falta-te chorar gritos mudos de emoção, expelir acusações sinceras pelas escarpas vertiginosas que te assaltam no tumulto da confusão. Sei que nem queres sair. Que mais não é uma outra súplica de atenção. Como tantas outras curtas de razão. Mas, mesmo assim, rogo-te, não saias. Não dessa maneira. Vá, desenha nos meus olhos, partindo pontas e cravando aparas de lápis, a mágoa que te apouca a ilusão. Sem hesitações.
Mas agora sai, já é tarde e deixa as chaves em cima do balcão.
sábado, 13 de Junho de 2009
Se eu estivesse na situação de alguns clientes do BPP
Estilhaçava os óculos de Constâncio e apertava em dez dedos o nó da gravata de Teixeira dos Santos.
Afinal, não sou de todo um homem violento.
terça-feira, 9 de Junho de 2009
A minha secretária redige e disfarça melhor
2-Carlos Tavares esclarece
3-Rendeiro fica consolado
4-E tenta manter uma certa calma
segunda-feira, 8 de Junho de 2009
domingo, 7 de Junho de 2009
Se há 3 anos eu tivesse lido:
segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Não se obstipem
Prevê-se mais de 65% de abstenção nestas europeias, o que indicia um lamentável alheamento pelas decisões europeias – cada vez mais as que nos devem interessar! - e um maior distanciamento dos partidos – por definição, cada vez menos interessantes.Só que, pura e simplesmente, não ir às urnas tem consequências ainda mais nefastas do que os seus próprios móbiles. Não tenhamos dúvidas que todo o entourage, com interesses políticos e económicos ligado ao poder e às oposições, dirá presente dia 7 de Junho; logo, por preguiça, falta de escolha, desinteresse ignaro ou vontade indómita de ir à praia, estamos a contribuir para que tudo fique na mesma, ou para que gentinha mais ordeira e encassetada, um qualquer funcionário com aspirações administrativas na Junta de Freguesia de Muge, por exemplo, decida por si.
Não apelo ao voto em branco, ou ao voto radical de protesto: não aprecio Saramago e chateia-me o arrependimento. Mas, c’um raio, existem oito micro partidos, digamos, mais exóticos, louquinhos por um voto seu. Olhe, tem um filho hiperactivo? Parece que o Partido Humanista resolve-lhe já o problema. Aproveite e aprenda (sem ir às Novas Oportunidades) que dividir é multiplicar (MEP). Aquele seu vizinho preto tem cara de cigano?, vote PNR. É adepto de pêras monásticas mitómanas?, vote PPM; tem inveja do carro do seu vizinho?, vote POUS; também gostava de comer estagiárias depois dum jantar no Ramiro?, vote PCTP/MRPP; gostava que o seu professor lhe desse um par de tabefes à frente do seus colegas?, vote MMS; Não sabe em quem votar?, vote MPT. Mas vote!
sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Conselhos reprováveis

O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, em conformidade com a ERC, acha reprovável o Jornal Nacional das Sextas-feiras. Era provável que achasse reprovável, mas muito pouco improvável que não lhes saísse a voz do dono.



















