quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

“Pensar um bocadinho não nos faria mal” - D. Clemente, Bispo do Porto

É com algum sorriso nos lábios que vejo alguns comentadores, ou alguns sectores da sociedade (veja-se recentemente o Bispo do Porto), demarcando-se de quem é absoluta e liminarmente contra o casamento homossexual, admitindo, no entanto, a sua possibilidade sob égide referendária. Admitem ainda que, apesar de ser um tema acessório e não prioritário, é uma causa "fracturante", logo merecedora do aval de uma manifesta parcela da sociedade. Lembram, também, em tom algo jocoso, que o casamento não passa de um papel. E ultimam com a inexistência de casamentos incestuosos e poligâmicos pela mesma falta de lei, sendo esta emanada pela vacuidade de vontade popular.

Seguindo o próprio conselho de D. Manuel Clemente – “Pensar um bocadinho não nos faria mal” -, quero lembrar que a representação popular do hemiciclo, emanada das últimas legislativas, reúne todos os quesitos para legislar sobre este tema. Porquê? Porque "não é uma questão de relevante interesse nacional" como exige a Constituição, mas acessória e não prioritária como defendem os referendários e, afinal, não passa mesmo de um papelzinho. Aliás, o presente hemiciclo, pomposamente proveniente de mais de 65% do universo de votantes – a quanto obriga mesmo o referendo para se tornar vinculativo…? – reflecte, casualmente (porque os eleitores até devem saber a posição dos partidos sobre este tema e será por isso mesmo que votam em uns e não nos outros), uma maioria absoluta parlamentar favorável a esta "fracturante" questão. No espírito do legislador, o que advém do artigo 115º da CRP é a possibilidade de os cidadãos poderem ser chamados a pronunciarem-se sobre temas, porventura não previstos nos programas eleitorais dos partidos, com relevante interesse nacional, nomeadamente, sobre a adesão do país a organizações internacionais, por exemplo. A nossa adesão à CEE em 1985 poderia ter sido referendada, caso tivesse sido revista à data a Constituição; o Tratado de Lisboa deveria ter sido referendado, tout court.

Aos que invocam o casamento incestuoso como equiparável, quero lembrar que os laços directos de parentesco limitam a liberdade de decisão das partes: há sempre uma relação de dependência entre um pai e uma filha, por exemplo, ou entre irmãos. Mais: permitir o casamento entre irmãos, mesmo que maiores e independentes, tinha condicionado toda a sua relação natural de crescimento - e de dependência - desde o nascimento. Sem falar das questões de eugenismo e consanguinidade.

Quanto ao casamento poligâmico, pois que venha, desde que haja mais do que dois interessados, nada contra.

Acabo dizendo que o casamento não é obviamente apenas um papel ou um contrato que pespega direitos e deveres entre duas pessoas. Mais do que isso, é a assunção perante terceiros, nomeadamente perante o Estado, que o Eduardo pôde decidir e responsabilizar-se sobre o futuro do seu companheiro  internado perante determinado procedimento médico. Já nem sequer falo sobre questões de herança patrimonial ou IRS. Não carece. Ou talvez sim.

Aliterações

Literalmente

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Hipatia, como não quero que te falte nada:


(Clicar para ler)

domingo, 22 de Novembro de 2009

Testezinho para quem está doentinho (... da cabecinha, também)

Your Handwriting Says You Are Somewhat Traditional

You are highly energetic. You are a passionate, intense, vigorous person.
You are very extroverted and outgoing. You are loving, friendly, and supportive. However, you are also manipulative and controlling at times. You are balanced and grounded. You know how to get along well with others. You need a bit of space in your life, but you're not a recluse. You expect people to give you a small amount of privacy, and you respect their privacy as well. You are somewhat traditional, but you are also open to change. You listen to your head and your heart. You are a decent communicator. You eventually get your point across, but sometimes you leave things a bit ambiguous.

Daqui, via Ana

domingo, 15 de Novembro de 2009

Conversas simples (i)

- Deves ser muito fértil!
- Sim...? Porquê?
- Tens o esperma muito espesso, pouco liquefeito.
- Isso não quer dizer nada, tem a ver com a qualidade do líquido seminal.
- Sim, mas tens quantidade e é concentrado. Cuidado!
- 'Tá... estarei de boa saúde, nada mais.
- OK, mas vê lá por onde deixas isso...
- Está fora de questão a doação.
- Mas já ouviste falar da escopolamina...?
- ... sei, mas meus rins valem bastante mais.
- Sim, fígado e pulmões nem tanto.
- Nem muito.

Corriqueirices

Como disse um dia um amigo, parte da blogosfera não passa de um verdadeiro engatódromo, onde homens e mulheres (vamos ser básicos e ficar por aqui) buscam no desconhecido – o desconhecido, esse poderoso afrodisíaco – uma plataforma comunicacional repleta de projecções de géneros, todos eles claramente ideais. O avisado passa da simples leitura de um blogger para a correspondência electrónica; desta para o contacto telefónico e, finalmente – é a loucura! –, para o contacto pessoal. Isto, obviamente, em estado de banho-maria, não vá o indivíduo (avisado) dar muito nas vistas e não ocultar seu último desiderato no sommier do motel de Rinchoa. Nada contra, faz parte da natureza humana, e não passa de mais um modo de conhecer exemplares do sexo (o)posto. Acontece, porém – imaginem! –, que existem criaturas exóticas que bastas vezes se contentam com uma espécie rara de amizade virtual e, que, pelos mais díspares motivos, não pretendem, não necessitam, não querem encetar conhecimento pessoal; sendo esta atitude encarada pelo terceiro (avisado) como uma exemplar recusa – tampa – ao progresso e ordem natural das coisas. Jamais lhe passaria pela talhada cabecinha que a Rinchoa, e seus encantos, não constitui prioridade, nem o melhor dos locais para o entabulamento de suposta amizade. Suposta, porque nesse preciso momento já o avisado o deslinkou; não responde ao email ou ao comentário, e já se encontra a esquadrinhar o avatar do perfil de um outro blogger com objectivos bem mais auspiciosos: conhecer o guinchar das molas do gasto colchão da remodelada pensão de Coina.

sábado, 14 de Novembro de 2009

Pela vossa saúde

domingo, 8 de Novembro de 2009

Tem prioridade, sim

















Sem referendo, sem alardes, com respeito e muito Amor.

sábado, 7 de Novembro de 2009

Experientia praestantior arte

Decepção e desilusão não são sinónimos. A primeira parte de factos muito concretos, qualificáveis e quantificáveis, que sustentavam uma atitude e um determinado comportamento, contínuo e redundante, revelando posteriormente outros, completamente díspares e surpreendentes; alterando profusamente a percepção do decepcionado. A segunda não parte de factos muito concretos, mas só dos que nos fazem crer subliminarmente; qualificáveis e quantificáveis só à luz de uma ideia criada em redor da ilusão, embora não deixem de ser díspares e surpreendentes, pois a construção de uma pirâmide de cartas não tem limite ad nauseam. De nenhuma delas se pode, porém, falar de culpa: uma adveio de uma imprecisa avaliação; a outra, de um descuidado enredo de emoções.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Trás!


As decepções, por definição, vêm donde menos se espera. São como os pianos de cauda, encordoados em aço com teclas de marfim, que nos caem do céu em plena praça. Não nos fazem mossa, simplesmente acabam connosco. Há quem se julgue mais prevenido ou atento; quem ande de capacete, colete e caneleiras especiais, mas isso dá trabalho e não atalha deslealdade. Ninguém está verdadeiramente preparado para viver com elas, mas se conseguirmos dirimir uma simples relação de coexistência, poderemos manter uma certa dignidade e, com sorte, erigir carapaça.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

retro



Contrafeito, não resisto ser bicho do mato ao Domingo, catando medronhos selvagens e esgaravatando roquinhas pela turfa ainda quente do estio de Outubro. Aferrado, até esculpo fisgas das bifurcações dos ramos mais firmes das macieiras, recorto tiras das borrachas das câmaras de ar de pneus velhos e ajusto, afino e recolho seixos de nitrogénio no rio.

- Acautelem-se tentilhões, verdelhões, cotovias, gaios, gralhas e virgens ofendidas: voltei aos meus dez anos, fujam, sou mesmo mau! Mas não que já não seja sapo, calculando lúgubres dias por tudo isso.

domingo, 25 de Outubro de 2009

sábado, 24 de Outubro de 2009

Sem links

Repeat after me: i'm still completly in love with her.

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Não há a menor dúvida

Que ele acredita muito mais na existência d'Ele do que a maioria dos ditos crentes.

sábado, 17 de Outubro de 2009

Muito mais do que isso

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Atende

Tocas e foges como se estivesse morto. Matreira, vens-me farejar, identificar os sinais vitais e lamentar os moribundos. Queres-me vivo, calculo; mas mais forte, tenho a certeza. Porque não cobarde ou desleal, não te irias locupletar de um só pingo de sangue. Só mesmo da totalidade espessa e vigorosa. Afinal, alimentas-te bem, anseias um Hansel bem nutrido, capaz de saciar-te em términos contínuos, logo, espicaçando-me aqui e ali, cutucando com vara curta, despertas-me para tudo o que me rodeia, de bom e de mau. Queres-me são, possante e atento. E já ambientado e confiante, apesar de tudo, sei-te astuta e incapaz de fugir à tua mais visceral natureza, porquanto reconheço o pouco tempo que me espera, ou o nenhum mesmo que me resta para ser teu prato, regalo, festim. E com mérito: deglutes-me ainda selvagem e indomável, porque, lancinante, confitaste-me assim.

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Entende


Quando começar o Outono a sério, quero-te em casa deitada no sofá, pernas estendidas, corpo meio morto e cabeça no meu colo. Espreitarás o livro ou a televisão, mas não retirarás a cabeça do meu colo. Levarás com a minha língua no lóbulo direito da orelha; com a parte externa dos meus dedos percorrendo todos os ângulos de tua cara, com uns meios e delicados apertões no nariz mas, principalmente, com o calor em crescendo das minhas pernas. Até podes sentir gotículas de suor pela testa ou alguma dormência pelos quadris, um pé mal encaixado nos intervalos das almofadas, mas do meu colo não sairá tua boca, nem teus olhos, nem tua saliva. Desculpar-me-ás o possível incómodo, mas quero-te mesmo ali muito entretida e mais nada.

domingo, 11 de Outubro de 2009

Atenta


Na volta traz-me a vesícula ou, na falta, directamente o fel, porque essa mania de olhares de lado irrita-me, traz-me picos de tensão: olha directamente para mim e mais nada e, quando muito, olha o céu encriptado de estrelas e galáxias loucas por calculares as suas exactas posições. Mulheres bonitas mas travessas enervam-me, levam-me a fervilhar na inexactidão. Atenta: não gracejes inóspita, isso não vale, é inconsequente. Concentra-te no essencial, ou seja, em mim. Porque repito, sendo tu fruto da minha imaginação, essa mesma desatenção limita-te até à extinção. E era só este o reparo.

É preciso ir à Globo

Saber disto, mas também disto?

sábado, 10 de Outubro de 2009

Fala-me de Paz


Este prémio Nobel da Paz não foi um prémio carreira. Não foi um prémio Esperança por um mundo melhor. Não foi um prémio Redentor e Providencial. Que me lembre, não foi sequer um prémio, mas um depósito incomensurável e inumano de co-responsabilidade de reserva global por algo – um mundo? – melhor. Tomou um rosto, sim, mas do ainda mais poderoso, logo, mais prometedor e garante das mais elevadas expectativas pelo equilíbrio das desigualdades mundiais. Por momentos, o Homem esquece-se que a Utopia era uma ilha, imaginada por um mero autor e, que de imediato repudiada por aquele, não passou de um relevo irrelevante em todo o seu contexto histórico. Fala-me de Amor, diz a música; mas falou-se de sobrevivência em Estocolmo.

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Olha

Não quero pressas, nem pausas longas. Nada de supetões, nem de calmas tardias. Traz só os olhos aspergidos, cansados de tanta leitura. Traz também as bochechas ainda quentes do travesseiro. E a voz, isso, traz a voz mandona e opinativa. Só isso, não tragas mais nada. Estou com alergia, não te posso sentir e estou no meio de um sonho onde já não te consigo achar. Mas escuto-te bem, vá!, conta-me uma história, uma boa história, com princípio, meio e fim. Aliás, eu escolho o fim. Mais, sempre que te interromper, obedeces e repetes comigo tudo o que eu disser. Tudo, sem hesitar. Lembra-te que és tu que fazes parte do meu sonho e é desta vez que, ao contrário de todas as outras vezes, irei descobrir a saída do desatino de Dédalo, onde tu, já indiferente, não vais esperar.

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009


Continuas muito bonita, .
Todos os sucessos do mundo, do teu sempre amigo Paulo.

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Ouve

Sem saber do culpado, inocularam-te na minha corrente sanguínea. Desde as artérias aos meus mais minúsculos vasos capilares. Cada célula alimenta-se agora um bocadinho de ti, transforma-se e multiplica-se de acordo com teus empenhos e, quando me faltas, entra em falência, desidrato-me e até posso morrer. Já quando ressurges, todas elas sobrenutrem-se e revigoram em tamanha euforia que até ardo combusto. Conceituados peritos já tentaram remover-te, isolar-te e estudar tua morfologia e composição. Mas nunca chegaram ao teu verdadeiro DNA, persistente e indolor em variações concomitantes entre a luxúria e o desapego. Dizem não seres viral, bacteriana ou fúngica. Falam de uma outra fórmula química descaradamente minha, mas só agora visível para além de mim. Logo, a haver culpados, sou principal suspeito: sou má boca, mas num único trago sou bem capaz de te sorver aquele veneno, acalentando expectativas na tua incúria comiseração.

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Venham... mas sejam poupadinhos

Escuta


Queres que te conte uma história, é? E queres senti-la como tua, mesmo sabendo que é exclusivamente minha? Então, senta-te e escuta.

Às vezes, muitas vezes, palmilhamos nossos sonhos em busca de respostas sublimadas, quase deificadas, que nos acarreiem a dose certa de coragem para justificar um por um nossos actos. Às vezes encontramo-las, outras não. Encontramo-las, quando nos afiguram nítidas, perfeitamente plausíveis e meritórias; não as achamos quando surgem obnubiladas no desencanto da contradição. Por isso, muito mais razoável do que tentar encontrar respostas nos sonhos, deveríamos tentar achar as verdadeiras perguntas como na idade dos porquês. Porque se fazemos isto ou aquilo, não é no universo das justificações que encontramos cabimento, mas antes no das motivações onde estagiam os malditos atrevimentos.

domingo, 27 de Setembro de 2009

Antecipando cenários...

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Eu sei que isto é um bocadinho deselegante, desinteressante e angustiante

Mas depois de ter visto a Zezinha nos Gato Fedorento percebi melhor por que é que este PSD jamais ganhará as legislativas.

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Era agora, era já

quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

"Que chatice... Pá!" *

"Eu sempre achei que ela [MFL] é uma senhora divertida e isso confirmou-se"
RAP
* Frase rosnada algures ontem à noite na Braamcamp

sábado, 12 de Setembro de 2009

Das genuinidades

Independentemente das ideologias que cada um possa ter – o grosso dos eleitores não tem – e lendo, como li, todos os programas dos principais partidos que se apresentam às próximas eleições legislativas, não me apercebi, em nenhum deles, de alguma iniquidade ou inexequibilidade na sua execução. Com mais ou menos exotismos, todos eles encarnam as respectivas linhas programáticas já conhecidas, logo, quanto a verdadeiras originalidades estamos entendidos.

Saindo das efectivas máquinas comunicacionais e de interesses que sustentam sempre cada um dos partidos, preferi deter-me nos seus líderes. Não nas suas competências, ideologias, capacidades de execução ou mobilização. Mas tão-só num único valor: genuinidade.

Absoluto como valor, mas profusamente subjectivo na avaliação, segue a minha breve interpretação:

Paulo Portas, culto, inteligente e hábil comunicador, norteia toda a sua vida pública pelo sucesso de um projecto pessoal. Desde o Independente até às suas presidências no CDS-PP (repare-se no CDS que já só foi PP), passando por uma série de golpes palacianos cujo objectivo foi sempre sair líder; mesmo que para tal tivesse de afastar, ou fazer com que se afastassem, históricos do partido, ou mesmo a recente Maria José Nogueira Pinto, Paulo Portas só concebe o sucesso de seu partido com ele. E como presidente. Trata-se, sim, de um projecto pessoal, o que, em si mesmo não é grave, não é condenável, só que, não explícito, carece de genuinidade;

Francisco Louçã não tem um projecto pessoal. Tem, sim, uma grandessíssima satisfação e atracão pessoal em ser líder espiritual do BE. Realiza-se, autoconvence-se, gosta de se ouvir e ser ouvido como um profeta; o que tem sempre razão em nome de um emergente, imaculado, inconsciente e genuíno descontentamento decorrente da governação protagonizada por quase todos os outros seus concorrentes. Louçã quer materializar, em toda a sua figura de capelão, a orfandade míope de todos esses desvalidos fiéis. O antónimo de Louçã é genuinidade;

Jerónimo de Sousa é genuíno. Emanado do Comité de seu partido, foi incumbido de não malbaratar toda uma herança quase centenária na luta contra o grande capital. À renacionalização de tudo o que traz riqueza e não definha a livre concorrência entre mercearias (Eu até gosto de mercearias e de balanças com chumbinhos), avante, camaradas! Não queria estar no lugar dele: as sobrancelhas do Cunhal devem-lhe pesar tanto… mas é genuíno!;

José Sócrates é um deslumbrado com resquícios provincianos. Cresceu assombrado por doutores, engenheiros e professores e sempre almejou chegar lá. Não necessariamente à sabedoria, ou ao trabalho que custa alcançá-la, mas aos títulos sociais por deferência, ao reconhecimento por superiores: Oh seu dôtore!, Oh seu Inginhero!, o prazer será todo Nosso! Mas não é estúpido, muito pelo contrário, espertíssimo (mas não correligionariamente inteligente)! Foi o político que melhor soube, e sabe, usar a força da imagem, mesmo que contrafeita, para transbordar emoção e certezas (mais perigoso) nos eleitores; melhor sabe apropriar-se de obra alheia; de avaliações próprias como se de externas tratasse; enfim, colar-se a tudo que pode hipoteticamente beneficiar o eleitor. Um tipo ganha o Euromilhões e tem de gramar o Sócrates ao lado dizendo que foi no governo do seu partido que a Santa Casa juntou-se ao grupo de países que instituíram esse prémio. Com a satisfação, veio a teimosia; com a teimosia, a corte, o acolitismo empresarial, o séquito intelectual, a obrigação de devolução. Sócrates não é, obviamente, genuíno.

Manuela Ferreira Leite foi uma excelente aluna, mas não é uma boa professora. Um mulher de uma outra geração, que à semelhança de poucas outras, lutou muito para ser respeitada entre pares. Mulheres da sua geração, que chegaram onde chegaram, que tiveram de desbravar caminhos, sofrer condicionamentos e preconceitos de género, contam-se poucas por este país. Não estamos a falar de Letras, ou mesmo de Direito. Estamos a falar de ciências económicas, de ciências de Homens, porque tudo o que tenha a ver com dinheiro, tem a ver com Poder. E exerce o cargo de líder do PSD por pura abnegação e espírito de cumprimento. É teimosa? Sim e esconde-o…? Na sua desambiguação, Manuela Ferreira Leite é, sim, genuína.

Cartões vermelhos



A fofinha da Hipatia pediu-me para dizer quais os meus dez cartões vermelhos, solicitando-me, contudo, não apontar nenhum ao género lá dela. Pois claro.

1. A todo o tipo de implantes silicónicos e afins em qualquer local do corpo feminino: não gosto de beijar lábios de plasticina, peitos térmicos e traseiros acolchoados. Anima-me muito mais a gravidade pungente de uma toda e qualquer situação;
2. A todo o tipo de saltos compensados dos sapatos femininos. Se querem parecer mais altas, sofram o desnível, tentem endireitar as costas e carreguem os sacos das compras na mesma. Caso contrário, metam andas ou próteses amovíveis;
3. Aos óculos de sol XXL: já experimentaram a burka…?;
4. Aos triquinis: ficam mulheres-aranha e transparecem mentes complicadas e traumáticas;
5. À lingerie de renda preta, encarnada ou de outra cor feérica. Desculpo sempre a branca. Também já não suporto o fio dental. Olhem, uma cuequinha em forma de mini-calção fica sempre tão sugestivo…;
6. Aos recadinhos, aos avisinhos, aos post-itinhos.;
7. À auto-avaliação elogiosa, intensa de convencimento, polvilhada por um, vá, dois defeitozinhos;
8. Às mulheres que manifestam saber tudo sobre os homens, principalmente e para não dizer só, quanto aos seus defeitos, à sua previsibilidade e inferior estádio evolutivo;
9. Ao primado da aparência física e da juventude em contraposição ao envelhecimento. Se se pode perder na forma, ganha-se em muito no conteúdo. Lamento profundamente ver mais jovens não aproveitar - e quantas vezes, repudiar - tudo de bom que uma pessoa mais experiente (e com paciência para os aturar) pode oferecer. Em todos os sentidos;
10. À Hipatia. Ponto.

Visados: Manuel (que anda a fugir disto como o diabo da cruz); Margarida (idem, idem); Clara; Ana e Monsenhor Espumante.

PS: Olha, que maçada, esqueci-me de abrir a caixa de comentários. Que pena...

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
















(Clique nas imagens)

domingo, 6 de Setembro de 2009

Liberdade de expressão

video

sábado, 5 de Setembro de 2009

As mulheres não são o que não são

Os homens podem desistir de uma determinada relação, mas não desistem de uma Mulher. Já as mulheres não só desistem da relação como de um homem. Porquê? Porque as mulheres persistem numa incerta segurança lá muito delas. Já o homem não tem medo da solidão.

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Uma regra

Sempre soube que em determinados estados alternativos de consciência nunca se deve postar.

domingo, 30 de Agosto de 2009

quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Aishwarya Rai: Why not?


Esta mulher é idolatrada por mais de 1,2 mil milhões de pessoas, com reconhecimento em Cannes, poliglota e ex-estudante de arquitectura. Nem por acaso, é a mesma que figura no post abaixo e tão "desconsiderada" pelas comentadoras sob o escopo do sobrevalorizado 6º sentido. Mas foi, de facto, uma péssima escolha: não nasceu no Ocidente e é demasiadamente bonita. É ver a extensa biografia.

terça-feira, 25 de Agosto de 2009

One-liner


Um dia, a gentil Helena disse que eu não me devia sentir envergonhado -- a Margarida chamou-me mentiroso...! --, porque acabara de escrever uma das mais belas homenagens feita à Mulher. Não às mulheres.

Esclareço. Sou devoto da Mulher e, por inerência, gosto muitos das Mulheres. Em toda a linha. Mas trata-se de Alta Escola e eu não domino a arte de cavalgar* em toda a sela. Com muita pena minha.

* Nada de más interpretações, por amor de Deus.

segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Anónimo, eu?

Nunca o fui, mas também não sou João e não tenho nenhum nome começado por G. JoãoG vinha de um outro blog colectivo e do Fio Passageiro que com a minha grande amiga Prima partilhava.

Aqui estou sozinho e chamo-me Paulo.

domingo, 23 de Agosto de 2009

Serenar

Falam-me em serenar. Eu assinto. Quase sempre. Tenho de fazê-lo sob castigo de ouvir mais vezes. Mas afinal o que é isso de serenar…? Acalmar? Tudo bem, nem sequer tomo ansiolíticos. Apaziguar? Na boa, estou com a paz e a graça do Senhor. Amansar? Nunca, sou acima de tudo animal. Racional, por fineza, mas animal e feroz. A ferocidade não se pinta de uma só cor, tem nuances da arrogância ao vigor. A fereza lambe feridas, curando-as; alerta-nos, defendendo-nos. Já a serenidade também dá sono. E até podemos morrer.

Não acham...?

Uma Mulher



Tão parecida com esta, na escrita e fisicamente: dos meus olhos, claro

sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Coisas que ficam

Desde tenra idade, talvez por influência de uma educação jesuíta -- diga-se, também científica --, que apreendi duas ideias, duas palavras, cujo significado diverge muito do entendimento da maioria das pessoas: abusar e optar.

Abusar não é necessariamente exceder no uso que damos às coisas; antes, usá-las mal, deteriorá-las, adulterá-las, destituí-las da sua prima natureza e, por vezes, reter sua insídia.

Optar não é necessariamente escolher de uma forma livre e consciente; antes, abdicar de algo muito caro, querido, precioso. Prescindir de grande parte do essencial. Seguir por um outro caminho, quantas vezes mais desconhecido.

De forma que, tanto quanto me é possível, tento sempre não abusar, optando.

Mil perdões, mas eu não era eu se não pusesse isto aqui

quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

Enfim...

Não percebo a necessidade de algumas pessoas verbalizarem, leia-se, escreverem posts direccionados a outras, sobre assuntos íntimos e nada resolvidos. Porventura a tentativa de um autoconvencimento definitivo; um mostrar ao mundo uma decisão não interiorizada em pleno, ou ainda, pensarem que o escrito obsequeia ulteriores desmandos. Obviamente, nunca admitirão. Que se salve a amizade!

domingo, 16 de Agosto de 2009

Eles não sabem nada...?



Há uns dias atrás, estava na mesa do lado, um grupo de três jovens homens de trinta e poucos anos falando sobre mulheres. Estavam animados e exaltados, cada um deles fazendo-se ouvir em sonoras opiniões, sensatas e assertivas, sobre o sexo oposto; interpelando, questionando, emitindo pareceres liminares e definitivos sobre suas consortes, mulheres, namoradas ou amigas, para o caso tanto faz.

- Acho-a de uma inconguência flagrante, contudo não descura uma persistência que nunca tinha visto.
- Mas tens de tentar funcionar doutra maneira. Eu, por exemplo, jamais mencionei regras que na prática não dão em nada, inconsequentes, 'tás a ver?
- Sim, Daniel, mas ela não dá qualquer espírito de abertura para que as coisas funcionem de forma diferente: é como ela quer ou temos frisson.


Na verdade, nunca utilizavam palavras como "gaja" ou "tipa", mas a "Suzana" ou a "Sofia", o que não me desgostava: eram educados e, OK, um pouco betos. Mas o que mais os preocupava era entendê-las, entrar na sua lógica de pensamento: mais um ponto a favor, tinham espírito missionário.

Só que, mais lá para o final da conversa, apercebi-me de quem realmente falavam e porque tão minuciosos eram nas sábias análises. Falavam das suas chefes hierárquicas, do seu trabalho profissional e das perspectivam que dele almejavam.

De repente, senti-me num país desenvolvido e gostei de me sentir português.

sábado, 15 de Agosto de 2009

{Entre chavetas: o filme que nunca vi}



Precisei entender-te, saber quantas e quais línguas falavas e se praticavas muita linguagem gestual. Precisei saber quantos batimentos cardíacos te atormentavam, quantas gotas de suor expelias, quantos cabelos espigados deixavas abrir ao sol. Precisei enumerar os poros mais arrepiados, equacionar pestanas, adivinhar constelações de sinais. Dimensionar a tessitura de teus bocejos, a graça de teus rumorejos, a infantilidade de teus soluços.

É, precisei entender-te mais e melhor, sentir o que sentias, sofrer o que sofrias, chorar e rir o que rias e choravas. Cobrir-te a sombra e fazer-me tu.

Não queria nada teu. Só ver pelos teus olhos, cheirar pelo teu nariz, beber pela tua boca, ouvir pelos teus tímpanos, tactear pelas tuas terminações nervosas e corar pela tua cara.

Inabalavelmente certo que, fazendo-o, uma voz superior, um temor reverencial, me condenava feliz.

quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

__________ x _________

Não gosto de tomar duche acompanhado. De sentir água tépida e morna vinda de cima ao encontro de testas e nucas, ziguezagueando corpos, largada abundante pela linha dos joelhos. De sentir o gel corpo contra corpo, sliding & splashing; a pele macia dela encostando intermitente a dele, a minha, dotada de aleatórios pêlos acobreados pelo sol salgado do fim da tarde. Não gosto dos mamilos ligeiramente duros dela sobre o meu alto ventre; de sentir-lhe a cova da linha lombar; dos dedos longos escorregadios nas folgas mais largas dos meus. Não gosto desse elemento embrionário que é a água, que nos trouxe encharcados à nascença e que agora, reminiscente, partilhamos avidamente com o outro. Entre duas bocas nunca deveria cair água embebida em saliva e suor que com ela se misturam e mistelam em puros exercícios de prazer táctil e ronceiro.

Depois, nunca descurar o mais óbvio e certo: um, o outro, ou ambos sempre podem escorregar e magoar a maldita porcelana voyeuse.

[Um parêntesis recto: Perfeita]

Queixava-se com azedume da malvadez alheia.

Ela é má; ele mau é; eles são maus. Os humanos são tão maus...

Uma descrença completa, profunda, lamentativa. Mas circunstâncial. Estruturalmente, continuava a acreditar neles, nos maus, nas bestas, mas próximos. Mas não nos alheios, essa coisa terrível, emanada pelo Diabo, pelos incréus, pela imundice zincada em calão. Já não havia ternura, docura, candura. Nem segurança, ou Sancho Pança: Cervantes, ludibriado, fora queimado. Como ela, na fogueira taciturna dos feles. Sim, porque, ela fora virgem nesta fealdade humanitária. Alguma vez serpente provocatória; fêmea aleatória; gira rendentora? Não, não, não. Não espicaçava, jamais alinhavava, ou, afeita, incitava mel. Toda ela cria-se fel.

segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Já chegado, ainda muito cansado, sinto-me assim

sábado, 8 de Agosto de 2009

(Um entre parêntesis)

Lido mal com a ansiedade, embora ela goste particularmente de mim. Até agora -- nunca digo nunca -- não recorri a fármacos da especialidade, mas antes ao exercício físico e mental*. Mas sei-a em mim, louquinha por uma cólera, uma espera desavisada, um desaguisado. À ansiedade não se diz não; não se enfrenta nos olhos; não lhe encostamos a ponta do florete alardeados de espadachim. Sábia, aperalta-se no valor, lustra seus galhardetes e, lesta, pode ofuscar, confundir ou até encandear. À ansiedade devemos dizer sempre sim; que a compreendemos; que é robusta e eloquente, mas já fintada e encoberta pelo não.

* Ler uma carta pode ser um poderoso ansiolítico

sábado, 1 de Agosto de 2009

Tinha tanto para falar sobre Dijon

Da tramóia que fazem à sua conhecida mostarda; da arte sacra; dos apêndices neolíticos; das muralhas do tempo do cu de judas. Mas não posso, Dijon lixou-me a viagem a pouco menos do meio. É, sim, uma cidadezinha francesa, logo de merda.

França, como já grande parte da Catalunha, esta pejada de magrebinos, i.e., pulhas vindos das canículas dos escorpiões do sahara, que, em não achando suficiente areia para vender, vieram para aqui fumar cavalo, mulas e bois sem os devidos estudos. Resultado? Além de nas horas mais mortas entreterem-se a queimar automóveis, lambretas e bóias, organizam-se em grupelhos de três ou quatro e assaltam à séria: armas brancas e pretas metálicas pesadas com canudos.

Levaram-me todos os documentos de identificação, cartões, chaves e mais coisas que não vou dando por elas. Estive na esquadra até às cinco da manhã para receber um mísero papel da ocorrência. E o que é que vou fazer com ele...? Consulado...? Sigo viagem, assim, despido de personalidade jurídica...? Formalmente não existo. Ou sim?

Viajante português, já vos direi o que farei.

(Não atentai ao excesso de linguagem)

sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Barça

Retive, essencialmente, quatro pontos sobre Barcelona. Todos factuais.

Primeiro, nunca fale com barceloneses em castelhano. Levarão logo à cabeça cinquenta euros por uma garrafita de água já aberta e não potável. Fale francês, inglês ou português. E, então, se souber uma frasezita mal amanhada em catalão, oferecerão casa, comida e roupa lavada.

Segundo, nunca, mas, mesmo, nunca, entre na Rembla do Raval. Aquilo é um misto de Casa Pia sem muros, Cova da Moura e Zona Jota, tudo incluído. É mais perigoso para um turista incauto passar por lá do que para o Papa urinar no muro das lamentações e entrar calçado de prada na mesquita Al-Omari.

Terceiro, foi em Barcelona que comi o melhor rabo de toda a minha extensa vida. Entre o rijo e o tenro, mantinha uma textura aveludada de bradar -- oh, se bradei! -- aos céus. Nunca lhe vi a cara, até que o gerente do Alba, ali na Calle Enrique Granados, me garantiu que era novilho.

Por último, depois de ver pela cidade tanta obra de Gaudí, senti-me vingado quando descobri que morreu atropelado por um eléctrico a 5Km/hora.




(Clicar para ver melhor)

quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Delay: 48 horas (i)



O tal Bajamar fechou há sete anos! Há sete anos que não passava por Madrid...? Céus!

(Madrid está muito suja, imunda, escura, poluída e quente; a Gran Vía parece a Almirante de Reis com uma loja onde ainda se vende bonecas de porcelana)

Cheguei a Dijon.

O meu Lisboa - Transilvânia

Há vinte anos atrás, queria percorrer o mundo sem ser de avião. Sentir as gentes e os locais como autóctone. Por uma razão ou por outra nunca o fiz.

De lá para cá, viajei, sim, mundo fora, mas sempre na comodidade do avião, do hotel cinco estrelas, do flat por conta do amigo, do resort all included.

Agendei este post para o começo da terceira das etapas desta minha viagem pela Europa -- Lisboa-Eforie --, sozinho, de mota, alojando-me em pensões. Já terei passado por Madrid e jantado, no meu restaurante de infância ( Bajamar) a minha melhor paella de sempre. E já neste momento estarei de saída de Barcelona para Toulouse. Depois Dijon, Liechtenstein, Linz (Áustria), Pécs (Hungria), Cluj-Napoca, Roménia (Transilvânia) e, finalmente, Eforie, ante o Mar Negro.

Às vezes, não nos queremos só estóicos, nem deixar problemas para trás (afinal, estão sempre em nós), mas, antes, só ir . E voltar. Voltar, sempre.

domingo, 26 de Julho de 2009

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Ele, mais experiente, procurava a felicidade, ou lá o que isso era; ela, mais inocente, a realidade, certíssima do que aquilo seria. Ambos, por prudência, arreigavam cautelas, caldos e mazelas de uma certa moralidade assimétrica e inexactidão de costumes.

Ele, pachola e meigo, era um romântico; tudo se pautava por uma primeira vez, mesmo que desfeita em mil, prosseguia avisado, por degraus sinuosos, com vontade e fervor. Sabedor da inevitabilidade que lhe sucumbia a têmpera e o coração, jamais se desviava um milímetro de sua intenção. Imparável e insolúvel, nunca ponderou por que estreitos caminhos circundava.

Ela, insolente, toda cheia de si, só queria percepcionar a vida. Senti-la forte e de supetão, sem amarras ou grilhetas; beijá-la na estranheza; enamorá-la pela certeza. Não pelo consolo ou descoberta, mas pela incerteza de queda certa.

E encontraram-se. E esqueceram tudo o que antes lhes adviera. Ele até já tinha renunciado à eterna felicidade e ela já não sabia exactamente nada da realidade. Estavam sós, um diante o outro, sem palavras ou preceitos; sem moralismos e preconceitos. E da própria ética, imagine-se, resgataram uma insânia paixão.

sábado, 25 de Julho de 2009

Ecologia

E poupa, poupa toda a energia que te possa dar;
E gasta, gasta toda a teimosia em me conquistar.

E Aqui

(Clicar nas fotografias para ampliar)

Sempre Aqui




(Clicar nas fotografias para ampliar)

quinta-feira, 23 de Julho de 2009

Meu Deus da Céu (maximize!)

quarta-feira, 22 de Julho de 2009

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Curioso como quase todas as Mulheres da minha vida têm um denominador comum: perderam antetempo suas mães.

Às vezes, dou por mim pensando nos porquês. Não me vejo minimamente materno, nem tão-pouco colo doce de permuta. Não me encontro naqueles desencontros íntimos episódicos ou nas cumplicidades intrínsecas daquela filiação. Nem me vejo particularmente fascinado pelo exclusivo infortúnio; nem na vocação de consolo que da minha parte advenha propensão.

Deparo-me, sim, com Mulheres superiormente fortes e seguras, dignas de profunda admiração e consequente devoção. Serão parte dificilmente achada nos meus pequenos desenganos, repleta de encantos de energia e entusiasmo pela comoção de vida inteira e satisfação. Serão difíceis, sim, complexas, de certo, mas descomplicadas. De entrega delicada, mas com minúcia conquistadas, são inteiras de cumplicidade, afinidade e disponibilidade.

Não serão todas assim, mas a Ana era. Doseada e cerebral, elevava uma frescura feminina desconcertante e imprópria de quem exercia magistratura com denodo e brio. Juíza de têmpera, erigia bom senso e sentido de Justiça como quem clama harmonia ao caos inquinado da nossa insatisfação.



Contrafeito, publico só esta via e-mail:

Esperança não poderia ser o nome da mãe de todas as tuas mulheres, porque essa é sempre a última a morrer, logo, a razão pela qual verdadeiramente as escolheste, ou te escolheram, é porque não tinhas de ter Esperanças na tua vida.

Ana Cláudia Vicente

sábado, 18 de Julho de 2009

Da paz Clara

Dos clichés

Nunca acreditem num homem que vos assegure não reparar na aparência de outros homens. O mais certo é não reparar noutra coisa. Mas, se pelo contrário, ele vos disser que sim, que repara sem pruridos, e até avance com ulteriores considerações, desconfie na mesma. Não só quer conquistar a vossa confiança, como mostrar seu pavilhão de caça.

Nem por acaso

Este blog enche-me as medidas.

terça-feira, 14 de Julho de 2009

Prémios e isso

A minha querida amiga Hipatia atribuiu-me, por gentileza, um prémio não-sei-quê-e-coiso. Não quero que ela me ache arrogante e ainda-mais-coiso, mas não consigo nomear sete blogs favoritos por uma única razão: só tenho três ou quatro que me enchem as medidas, salvo seja, e por pudor jamais denunciaria a minha obsessão.

domingo, 12 de Julho de 2009

Urgente!


Precisava de encontrar-te um defeito, uma imperfeição, um segredo cabeludo com risco em ziguezague, uma mácula esquecida e encoberta pelas vicissitudes do tempo. Algo que te comprometesse seriamente, não te desse sorte de defesa ou te provesse álibi justificado. Podia ser coisa rasteira, pequena, sem fio condutor, mas me afiançasse ponta por onde pegue flagrante delito.

Uma vez na minha posse, jamais dele faria abuso ou te pespegaria na cara para justificação frontal. Nem sequer conformava trunfo secreto ou Royal Straight Flush à última jogada.

Só a minha salvação.

sábado, 11 de Julho de 2009

Basicamente

Encurralava-te contra a parede, entre os meus braços esticados, e olhava-te firme nos olhos, cerrando-os durante algum tempo para te julgares livre e saíres do meu cerco. E deixava-te fugir só para te captar em movimento, frame sobre frame; observar quanto arisca e brava te desenvencilhavas; quantos passos arriscavas e para onde te dirigias. Se gritavas desaustinada ou perjuravas impropérios baixinho. Claro que te dava uma margem delineada de insegurança. A suficiente para, quando me apetecesse, voltar-te a encurralar, agora deitada contra o chão.

Basicamente, despia-te à dentada, libertava do gancho teu cabelo montês e em hordas sucessivas e bárbaras dotava todo teu corpo. Por pérfida canalhice, não te deixava na incerteza do que te esperava, mas antecipava-te o desespero em me veres grande e eloquente ante ordens sussurradas rente ao ouvido. Severo e impessoal, seria impositivo na descrição de todos os meus actos com muito poucas décimas de segundo de antecedência, porque, tenra e fresca, aberta, crua e molhada, te sugaria como uma ostra recém-apanhada.

Depois, bom, depois muito pouco de ti sobrava de esquivo ou resistente, porque queda e sobre-ressarcida te espraiavas na súplica de nova investida.

sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Depois não entendem do que falo...

Pensamento positivo (i)

Em Portugal, há mais falências por dia do que casos confirmados de gripe A.

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Clara era escura. Não exacta cor de ébano, mas da tonalidade com que gostamos de sair do estio: acobreada. Pele lisa, lustrosa, macia, perfumada. Sem marcas, nem protuberâncias. Olhos bem delineados, de íris negra e esclera alva e brilhante. Esguia e atlética, sua silhueta não traíra formas generosas africanas.

Nascera em Príncipe, mas cedo foi para Santiago e, pouco mais tarde, para a Holanda. Acabei por conhecê-la em Bremen, mais o seu passo acelerado e desconfiado. Falava fluente alemão e holandês e, solícita, rapidamente se tornou minha intérprete nos delicatessens e pubs das ruelas de Schnoor.

Desconcertante, falava sobre tudo. Desde as put and call options, até aos veados escoceses de doze hastes; desde o leite de moça que a avô lhe ensinara enquanto pequena, aos melhores contentores de 40 pés; desde a influência do dadaísmo na literatura e nas artes plásticas até à importância da sacarose da beterraba.

Encontrávamo-nos todos os dias após as quatro e meia. Todos os dias. De Segunda a Domingo. Mais facilmente perdia o cartão do quarto do hotel do que aquelas quatro e meia da tarde; mais rapidamente esquecia onde estava, por que estava e o que estava exactamente ali a fazer, do que aqueles momentos claros de cumplicidade e devoção.

Até um dia, um único dia, uma Terça, em que não me apareceu. No dia seguinte também não. No seguinte ao seguinte, não e não.

Nunca mais a vi. Nem acelerada, nem desconfiada. Nem nada.

Anos mais tarde apareceu-me no ecrã na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Atenas. Gesticulou um adeus para o público. Desliguei a televisão. E o meu adeus também.

sábado, 4 de Julho de 2009

Tenham juízo...!



Ausente do país, só hoje tomei conhecimento da demissão do Ministro da Economia – só mesmo os media portugueses para acharem que este relapso acontecimento foi amplamente difundido lá fora, o que nem é mau: chauvinismo ultima auto-estima.

Pois, atrasado, acho um verdadeiro disparate. Como qualquer latino, levo muito a sério a linguagem gestual e não admito que a locutora especializada para o efeito, no canto inferior direito, tenha deixado de articular os correspondentes gestos, mas tenha sido o Sr. Ex-ministro, abnegado e lesto, a substituí-la. Quem verdadeiramente se demitiu dos seus deveres foi a profissional contratada para o efeito, o que só põe a nu a inépcia neste sector. Já agora, o que o ex-ministro quis inequivocamente dizer foi: olhem para o céu, é para lá que irei quando morrer!

Inaugurado em 1913


Teatro Politeama, em Lisboa - obra de Ventura Terra

Olhai, senhores!

Existe coisa mais interessante do que olhar uma mulher em cima de um escadote...? Agora imaginem doze...

quarta-feira, 1 de Julho de 2009

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Nunca vos contei um segredo, porque nenhum segredo merece ser contado. Não só porque deixá-lo-ia de ser, mas porque, severo, transformar-me-ia toda a vida numa balança cega, onde o chumbo, espantado, seria elevado do prato perante o desplante da densidade do meu segredo. De paixões, todos temos; de traições, mais ainda; de assombro, como o meu, ninguém.

Linda, inteligente;
Possessiva, linda;
Teimosa, inteligente;
Despistada, linda;
Impertinente, inteligente;
Cativante, linda.

Tenho um segredo que nunca vos contei, nem nunca vos irei contar. Não pelo segredo, mas pelo que ao mundo iria segredar.

É a Rita, a Joana, a Laura, a Ana ou a Clara; a Clara, a Ana, a Laura, a Joana ou a Rita. O segredo está em todas elas e todas elas são uma mínima parte de uma só. A tal, o verdadeiro segredo, que fintando todas as outras, nunca se quis substituir em nenhum momento por uma só.

segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Laura shock

Estava para ver o Bottle Shock antes que saísse de cartaz. Afinal, sabia que o filme era para lá de sofrível, com personagens da espessura duma folha A4 80mg. Mas como se baseava num acontecimento real e interessante – O Julgamento de Paris – que revolucionou toda a vinicultura e vitivinicultura dos últimos quarenta anos, tinha de dar uma espreitadela ( e acho piada ao Alan Rickman).

Dada a especificidade do tema, tive dificuldade em arranjar companhia – sim, porque ir ao cinema sozinho, só deprimido, ou à socapa, como quando tinha 13 anos e fui ver o Christiane F. Mas, neste caso, nem tive. Laura acompanhou-me:

- João, tens a certeza que queres a minha companhia…?
- Estou-te a convidar…

Laura, do alto dos seus curvilíneos 1,75m, é uma desbocada. Tanto fala alto só para me dizer, e todos ouvirem, “qu’horror, estás a ficar com barriguinha"; como me agarra o pescoço para segredar parvoíces do género: “quero pipocas salgadas para me desidratar!”. Hás-de senti-la molhada na pele seca – pensei eu, mas até nem tinha pensado.

Sala 9, Alvaláxia. Número de bilhetes até ao momento comprados: seis. Número de espectadores efectivos na sala, dois: eu e ela. Foda-se!

Normalmente, quando os filmes são em inglês-americano, nem espreito as legendas, mas com tantos apartes antecipando o pobre fio condutor da acção, só me restou apertar-lhe a mão e suplicar-lhe silêncio. Silêncio!

Laura tem tanto de lúbrica, lasciva, como de insuportável; tanto de inteligente, quanto de patético; tanto de meiga como de histriónica. E esta combinação é desconcertante, muito próxima do inenarrável.

Tudo bem, confesso: amuou. Pingada ao meu lado no carro, em sonoro silêncio, até sua casa. Não se despediu ao sair, mas fez questão de me relembrar, ao se erguer, o que tem de melhor: um traseiro de sonho.

Parafraseando um amigo carioca, perdi uma má película e uma bunda gostosa.

domingo, 28 de Junho de 2009

Esclarecimento

Tenho recebido alguns mails amigos dizendo que não conseguem comentar neste blog. Não sei ao certo porquê, mas porque também já me aconteceu o mesmo, aqui vai como fazer enquanto não resolvo o problema:

1- Quando der a mensagem de erro, clica-se OK:



2- Depois clica-se na seta rewind para voltar à página anterior:



3- E já se pode comentar:



Bom, isto é um bocado ridículo, mas fica o registo e desculpem qualquer coisinha.

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

De mel, juro, mel de tília, nunca viste? Claro que sim, todos os dias de manhã

quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Sky morre

Há coisa de dois dias vi o ex-inspector do caso Maddie num conhecido restaurante da baixa lisboeta. Antes de se sentar, dois jagunços, às turras, despiram-lhe o casaco e levaram-no pelas quatro patas ao bengaleiro. Voltaram à mesa, pediram licença e juntaram-se ao doutor e à sua ex-colega. Enquanto vertia copos e copos de álcool, chegando a ter acesos, em simultâneo, dois cigarros nas beiças e rodopiava em 270 graus o anafado pescoço em busca de holofotes, sussurrou o empregado mais próximo de mim: coitado, o PêJota está de dieta…

Sobre os alicerces de um templo romano

Maternidade Alfredo da Costa, Lisboa - projecto de Ventura Terra

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Há muito que deixei de fechar a porta. Que não me enfio em conchas, nem me soterro em charcos. Gosto de pisar firme frio arame e pensar que posso cair estatelado no chão. Também não gosto da escuridão calcária, húmida e bafienta. Minha saliva efervesce como ácido cítrico corroendo crateras múltiplas ao encontro do ar gélido que me enrijece corpo e me alarga imaginação.

Não, Rita, não é de liberdade, de largueza ou de alforria que te falo. A primeira conquista-se, a segunda constrói-se e a última, passiva, sai em sorte. Falo de vontade, de desejo, de tenção com c cedilhado, inteiro na predisposição de desafiar a razão.

Já ouviste falar em números complexos? Não? Neles, há uma unidade imaginária que, mesmo sendo tão irreal, é produto da razão. E é dessa outra coisa que preciso, da precisão do sonho sacada à aleatoriedade da razão. E isso, Rita, não, nunca me ladroarás sem ponderação.

Mas, repito, estás à vontade, cola-te à pele, aperta-me os pulsos, soca-me o peito, aperta-me o escroto. Porque, já sabes, se por mero acaso sangrares, será por erosão.


sexta-feira, 19 de Junho de 2009

O Sacré Couer de Montmartre português

Basílica de Santa Luzia, sobre o Rio Lima, Viana do Castelo - obra de Ventura Terra

quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Estão verdes

Miguel Marujo publicou há dias no seu Santuário uma fotografia de Ana Drago. Choveram logo comentários maldizendo a bloquista, que era uma blasfémia a sua escolha, que não estava ao nível daquele altar, sem quesitos mínimos e por aí fora. No fundo não se discutia estética, mas partidarices políticas.

Conheço a Ana e, pessoalmente, acho-a simples, cara lavada, juvenil e bonita, sim!, possuidora de uma sensualidade muito serena, muito confiante.

Aliás, se há partido que mais conjuga inteligência com beleza feminina, é o BE. A Taggy que me perdoe, mas beleza também é fundamental...

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- Como é que entraste…?
- Tenho cópia das chaves, esqueceste?
- Tudo bem, que foi?
- Vai à merda, mais a tua bonomia…!
- Rita, Rita… diz lá.
- OK, já não me queres: eu aguento, sei cuidar de mim. Desde a morte da minha mãe que me entendo, me cuido, sei tratar de mim. Para a semana faço Prova de Agregação, vai correr tudo bem. Trabalhei muito aqui nesta casa contigo, ou sentigo, não interessa, vai correr tudo bem…
- Claro que sim, Rita… diz.
- Já não sou suficientemente boa para ti, é….?!
- Boa…? Boa? Boa como?
- Porra! Na cama, nas conversas, nas brincadeiras! Fartaste-te do meu corpo, dos meus gritos, dos meus amuanços, da minha pele? Adoravas a dureza arrepiada do meu rabo, do meu peito, do meu umbigo; excitavas-te quando passava nua rente à janela, à noite, com as luzes acesas e os estores abertos. Ficavas piurso quando te perguntava, e demoravas mais de 3 segundos a responder, quem era a filha da prima da tua mãe.
- A Rosarinho…?
- Ora, foste rápido!
- Não, não, continuo a ter problemas com a compreensão de esquemas, quero dizer, com os parentescos…
- Com a Rosarinho…!
- O quê?
- Com que então, aqueles cabelos louros dentro do bolso do teu BLAZER!, eram simples pêlos do golden retriever da tua irmã…
- hã?
- Paulo…
- PAULO???
- João Paulo, “não te faças sonoro”, “não dessa maneira”, "acata agora a bonomia do meu coração"…

Ah, e não precisas de mudar de fechadura, afinal a porta sempre esteve entreaberta.

terça-feira, 16 de Junho de 2009

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Rita, espera, não saias assim. Não batas com a porta, não te faças sonora. Falta-te chorar gritos mudos de emoção, expelir acusações sinceras pelas escarpas vertiginosas que te assaltam no tumulto da confusão. Sei que nem queres sair. Que mais não é uma outra súplica de atenção. Como tantas outras curtas de razão. Mas, mesmo assim, rogo-te, não saias. Não dessa maneira. Vá, desenha nos meus olhos, partindo pontas e cravando aparas de lápis, a mágoa que te apouca a ilusão. Sem hesitações.

Desassombra, Rita! E dá-me um beijo calmo, sem ruído, seco, breve, como quem cumprimenta um amigo, um conhecido, um desconhecido, no meio do salão. Vês, foi fácil, não foi? Já nem me sentes o cheiro, a barba ou o cabelo. Foi fácil, Rita. É fácil quando, ponderadas as trocas, a bonomia acata o coração.

Mas agora sai, já é tarde e deixa as chaves em cima do balcão.


sábado, 13 de Junho de 2009

Se eu estivesse na situação de alguns clientes do BPP

Partia aquela merda toda. Golpeava fundo as carótidas do Rendeiro e enfiava-lhe boca abaixo o canudo do seu ridículo livro.

Estilhaçava os óculos de Constâncio e apertava em dez dedos o nó da gravata de Teixeira dos Santos.

Afinal, não sou de todo um homem violento.

terça-feira, 9 de Junho de 2009

A minha secretária redige e disfarça melhor

1-Rendeiro pede esclarecimentos
2-Carlos Tavares esclarece
3-Rendeiro fica consolado
4-E tenta manter uma certa calma

segunda-feira, 8 de Junho de 2009

A importância do rescaldo


Sarsfield Cabral não tem dois dedos de queixo.

domingo, 7 de Junho de 2009

Se há 3 anos eu tivesse lido:

«Bin Laden ameaça Barack Hussein Obama», teria achado que os tipos da Al-Qaeda já não se estavam a entender.

segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Não se obstipem

Prevê-se mais de 65% de abstenção nestas europeias, o que indicia um lamentável alheamento pelas decisões europeias – cada vez mais as que nos devem interessar! - e um maior distanciamento dos partidos – por definição, cada vez menos interessantes.

Só que, pura e simplesmente, não ir às urnas tem consequências ainda mais nefastas do que os seus próprios móbiles. Não tenhamos dúvidas que todo o entourage, com interesses políticos e económicos ligado ao poder e às oposições, dirá presente dia 7 de Junho; logo, por preguiça, falta de escolha, desinteresse ignaro ou vontade indómita de ir à praia, estamos a contribuir para que tudo fique na mesma, ou para que gentinha mais ordeira e encassetada, um qualquer funcionário com aspirações administrativas na Junta de Freguesia de Muge, por exemplo, decida por si.

Não apelo ao voto em branco, ou ao voto radical de protesto: não aprecio Saramago e chateia-me o arrependimento. Mas, c’um raio, existem oito micro partidos, digamos, mais exóticos, louquinhos por um voto seu. Olhe, tem um filho hiperactivo? Parece que o Partido Humanista resolve-lhe já o problema. Aproveite e aprenda (sem ir às Novas Oportunidades) que dividir é multiplicar (MEP). Aquele seu vizinho preto tem cara de cigano?, vote PNR. É adepto de pêras monásticas mitómanas?, vote PPM; tem inveja do carro do seu vizinho?, vote POUS; também gostava de comer estagiárias depois dum jantar no Ramiro?, vote PCTP/MRPP; gostava que o seu professor lhe desse um par de tabefes à frente do seus colegas?, vote MMS; Não sabe em quem votar?, vote MPT. Mas vote!

sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Conselhos reprováveis



O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, em conformidade com a ERC, acha reprovável o Jornal Nacional das Sextas-feiras. Era provável que achasse reprovável, mas muito pouco improvável que não lhes saísse a voz do dono.

segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Vereador da Câmara de Loures (1993-95)

















Dizem que nunca "sugeriu" a entrega de qualquer quantia para a viabilização de quaisquer projectos.

quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Genéricos

Quando tenho muito que fazer, leio blogues. O problema é que blogues ler. Não prescindo de boa leitura. E isso, dado o actual leque à disposição, fode-me o juízo. A mim e ao Pacheco Pereira, esse vulto talentoso que, sapiente, sorve telas e telas de coisas simples.

quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Questão prévia

Aqui não se reproduzirão mentiras em segunda ou terceira mão. Serão todas em primeira.